Alziro Barbosa

Direção de Fotografia

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Serras da Desordem


Serras da Desordem - documentário - alziro barbosa
Serras da Desordem - documentário - alziro barbosa
Serras da Desordem - documentário - alziro barbosa
Serras da Desordem - documentário - alziro barbosa

Sinopse: Carapirú é um índio nômade que, após escapar do massacre de seu grupo familiar em 1978, perambula sozinho pelas serras do Brasil Central até ser capturado, dez a nos depois, a 2 mil quilômetros de distância do seu ponto de fuga/partida. Levado para Brasília pelo sertanista Sydney Possuelo, torna-se manchete nacional e centro de polêmica criada por antropólogos e linguistas quanto à sua origem e identidade.




Ficha técnica

Direção: Andrea Tonacci

Roteiro: Andrea Tonacci

Assistente de Direção: Eduardo Mamberti e Geí Guajá

Elenco: Carapirú (o índio), Tiramukon (Bemvindo, o filho de Carapirú), Myhatxiá (Carapirú Jovem), Camairú (amigo de Carapirú), Magadãn (Tiramukõn Menino), Amãparãnoim (velha que carrega o fogo), Sydney Ferreira Possuelo (sertanista), Wellington Gomes Figueiredo (sertanista), Luiz Aires do Rego (vaqueiro que hospedou Cararapirú), Rosalita dos Santos (esposa de Luiz Aires do Rego), Regina Elisabeth de Moraes (esposa de Sydney Possuelo), João Chaves da Silva (chefe do posto Indígena, Ma), Luis Moreira Silva (auxiliar de sertanista, Ma), Talita Rocha (como Jovem Professora, BA) OBS: Os personagens principais deste filme foram interpretados pelas mesmas pessoas que viveram os fatos narrados.

Empresa Produtora: Extrema Produções Artísticas

Produção: Érica Ferreira da Costa, Sergio Pinto de Oliveira, Wellington Gomes Figueiredo

Produção Executiva: Andrea Tonacci

Direção de Produção: Sergio Pinto de Oliveira, Érica Ferreira, Wellington Figueiredo

Assistente de Produção: Cláudio Muniz da Silva, Rafael Vieira Costa, Silvana Xavier Presta

Direção Fotografia: Aloysio Raulino, Alziro Barbosa, Fernando Coster

Gênero: Ficção

Formato: 35mm e digital

Duração: 135 minutos

Ano: 2006

Prêmios e Indicações de Fotografia

2006
Melhor Fotografia no 34º Festival de Gramado

Prêmios e Seleções do filme

2009
Melhor Filme pela APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte

2007
Melhor Filme pelo Júri Oficial, Júri da Crítica, Júri Popular e Júri dos Cineclubes no 11º Festival de Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira

2007
Melhor Filme de longa Metragem no 1º Festival Guará de Cine Ambiental

2007
Melhor Filme Brasileiro de 2006 no 1º Prêmio Jairo Ferreira

2006
Melhor Filme Brasileiro – Prêmio da Crítica Independente na 30ª. Mostra Internacional de Cinema de SP

2006
Melhor Filme no 5º Ecocine – Festival de Cinema Ambiental

2006
Prêmio Margarida de Prata pela CNBB

2006
Melhor Filme e Melhor Diretor no 34º Festival de Gramado

1997
Prix International de L’ecriture (Suíça) – 3ºLugar

Extras

Crítica

Por Carlos Alberto Mattos: O índio, a câmera e o isqueiro

Não há ilusões em Serras da desordem – nem o ilusionismo do filme de reconstituição, nem a crença de que o cinema pode ser 'útil' para o índio. O caso, relatado por um sertanista, do índio que ficou deprimido quando viu a eficiência de um isqueiro de branco serve de metáfora para a postura autocrítica do cineasta na cena de making of final. Tonacci sabe que a tecnologia da cultura pode ser um aliado do 'outro', mas que ao mesmo tempo, ainda uma vez, o explora e submete.

Por Luiz Zanin (Estado de São Paulo)

Há muitas maneiras de 'contar uma história' e Andrea Tonacci escolheu uma das mais originais. Se bem que, aqui, a expressão 'contar história' tenha de ser matizada e desdobrada. O diretor escala os personagens reais para (re)viver o que passaram anos atrás. Assim fazendo, traz não apenas um relato factual, mas já uma reinterpretação da história, pois reconstruída em momentos diferentes do tempo.

O fato inicial é de uma trágica banalidade no Brasil – o massacre de uma tribo indígena por brancos que cobiçam suas terras e o que elas contêm. Árvores, metais, o que for. Quem escapa da matança é o índio Carapiru, que se torna nômade e perambula pela mata durante dez anos. Quando foi encontrado, em 1987, estava a 2 mil quilômetros do lugar onde sua família foi dizimada. Carapiru encena a si mesmo, em suas andanças pela floresta e contato com brancos que não falam a sua língua. É uma experiência de estranhamento radical.

E quem poderia encenar Carapiru a não ser ele mesmo? Ninguém se coloca no lugar de ninguém, e uma cultura não 'lê' a outra senão com os olhos do preconceito. Tudo o que se pode fazer é reconhecer o mistério do Outro e instalar-se na posição de simpatia em relação a ele. Colocar as emoções em sintonia, pois isso é o que quer dizer simpatia. A humanidade é una e diversa, e esse é o maior milagre de todos.

Nesse sentido, o ítalo-brasileiro Andrea Tonacci não tenta ser o índio que ele obviamente não é. Mas procura colocar-se nesse ponto de interseção entre duas culturas, que permite passar de uma a outra, sendo ambas irredutíveis. Por isso, não se traduz o que fala Carapiru em 'tupi antigo'; suas palavras são apenas significantes aos nossos ouvidos. E o tempo dos brancos, a bela passagem de dez anos, construída com imagens de arquivo ou de outros filmes, também corre paralela ao índio internado na mata.

O encontro entre esses dois universos separados teima em se fazer. Às vezes no modo trágico; outras, no registro da ternura. Serras da Desordem o demonstra de maneira estupenda.

Por Leonardo Mecchi (Cinética)

... Para além de seu caráter ensaístico, como proposta estética Serras da Desordem é uma experiência arrebatadora, um verdadeiro OVNI na atual produção cinematográfica brasileira. Sua mistura singular entre o registro documental e ficcional, a utilização dos próprios personagens na reencenação de sua história (ecos tardios de Robert Flaherty?), os planos-seqüência dilatados no registro da vida primitiva, as seqüências de montagem e sobreposições de imagens, tudo colabora para uma experiência de imersão nessa registro audiovisual. Trinta e cinco anos após Bang Bang, Tonacci nos mostra a mesma inquietude e fascínio pela experiência. O cinema brasileiro precisava mesmo – e agradece.

Por Daniel Caetano (Contracampo)

... Rogo ao leitor que me perdoe tamanhos superlativos nesse texto, mas Serras da Desordem não é um filme comum. Na verdade, é uma daquelas obras raras, muito raras, das quais saímos com a impressão de que algo em nossa visão das coisas se tornou um pouco maior, de que passamos a ter uma perspectiva mais ampla sobre nós, seres humanos, sobre o cinema, sobre o mundo. Isso não é pouca coisa, com certeza não é.

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