Alziro Barbosa

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Pinball

Sinopse: Jovem faz uma bruxaria que não dá certo, foge do cemitério e encontra-se com a Morte em um fliperama sombrio e mal frequentado. Entre diálogos metafísicos e recordes de pinball, ele tenta enganar a Morte e ter mais uma chance no jogo.






Ficha técnica

Roteiro e Direção: Ruy Veridiano

Produção Executiva: André Gevaerd e Silvia Cruz

Direção de Produção: Zeca Paixão e Francisco Garcia

Assistente de Direção: Laura Mansur

Fotografia: Alziro Barbosa

Direção de Arte: Pedro Di Pietro

Produtores: Ruy Veridiano, Silvia Cruz, André Gevaerd, Elenco: Juliana Galdino, Rodrigo Pavon, Igor de Godói e Joca Andreazza

Produtoras: SCH2 Filmes e Kinoosfera Filmes

Gênero: Ficção

Formato: 35mm 2p

Duração: 19 minutos

Ano: 2010

Prêmios e Indicações de Fotografia

2011
Melhor Fotografia no 7th South African Horror Festival

Prêmios e Seleções do filme

2011
Melhor Filme, Ficção e Direção no 2º Curtamazônia

2011
Chris Statuette, no 59th Columbus International Film

2011
Melhor Filme Mágico no Midnight Black International Festival of Darkness

2011
Selecionado em mais de 30 festivais nacionais e estrangeiros

2011
“Certificado de Mérito” no Festival Internacional de Rochester, NY

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Pinball no programa ZOOM

Matéria sobre o Pinball no programa ZOOM - Alziro Barbosa

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Crítica

Por Luara Oliveira (Revista Beta)

'Eu não inventei os princípios de magia que estão no filme, tudo isso pesquisei no Aleister Crowley. Esse é um universo que acho interessante, não sei direito por quê, mas sempre achei. E me pareceu um caminho para levantar uma questão além do plano físico. Eu quero entender o que existe na alma do ser humano, sabe? Eu estou mais interessado na alma do que na política', filosofa Ruy, que recentemente teve outro curta aprovado para captação, por meio da Lei Rouanet, e um roteiro de longa premiado no Festival de Paulínia.

A trama de Pinball é peculiar e a narrativa é fragmentada, mas, para criar o clima que o filme pedia, era preciso fugir da moda e apelar para o clássico. Na era dos filmes digitais, Pinball se vale da película para estrear um formato inédito no país. Foi o primeiro curta filmado com a Panavision de duas perfurações, câmera que imprime em formato bem horizontal (2:70) e, por isso, resulta numa economia de aproximadamente 50% em negativo. Com um rolo de 120 metros, por exemplo, em vez dos quatro minutos e meio convencionais, roda-se quase sete.

Muito do filme foi encenado nas ruas do centro de São Paulo, e no formato 2:70 a cidade teve espaço de sobra. 'Esses formatos mais compridos contextualizam os personagens e permitem uma movimentação interna maior. Você consegue ver o cara correndo de um canto a outro da tela. Tem cena que parece uma teleobjetiva para o ator e quase uma grande angular para o fundo, entendeu? Isso favoreceu, a gente tinha muita facilidade na composição do quadro', relembra o fotógrafo Alziro Barbosa.

A ideia de partir para o retângulo horizontal foi bem acolhida pelo diretor do curta, que 'buscava uma estética mais estilizada, porque a mensagem também é o jeito como você conta a história. E, com esse formato, a gente conseguia fazer planos que dialogavam mais com as artes plásticas e com certo tipo de tensão que eu estava procurando. Percebi que podia fazer planos mais longos e muito mais interessantes', conta Ruy.

Se compor quadro parecia simples, o corte de uma lente para a outra era delicado. 'De um plano aberto a um fechado dava mais problema, porque, como essa relação com o espaço é maior, quando você fechava a câmera, o espaço continuava grande. Tinha que ser muito bem pensado. Quase sempre você tinha planos médios para fechados dos atores', diz Alziro.

A produção custou 150 mil reais e foi desse montante que saíram os 20 reais para honrar o aluguel de um porco, ou 'javaporco', como corrige o diretor. O animal participou de uma cena com o ator Rodrigo Pavon. 'Depois de uma mulher vestida de Morte, um cara vestido de feiticeiro, cemitério, sangue, um pinball… Quando a gente chegou com o porco, ninguém nem comentou, fazia o maior sentido ter um porco lá, sabe? A equipe a chamava de Brigite. Às vezes, ela gritava, então o Pavon a pegava no colo, fazia carinho e ela se acalmava', lembra o diretor, que escalou para o papel de Morte a atriz Juliana Gaudino, vencedora do Prêmio Shell 2002 pela peça Antígona e Medeia 2.

O sangue falso do porco no filme foi o que salvou a pele do animal na vida real. 'Quando a gente devolveu a porca para o dono, o cara decidiu que não ia mais matá- la, mas sim alimentá-la e transformá-la em reprodutora do sítio dele. Era uma porquinha com uma história incrível para ele contar e, se a matasse, perderia a história. Então ela virou matriz e está imortalizada no cinema!', diverte-se Ruy.

A estética bem cuidada e a atmosfera sombria de Pinball lhe renderam lugar na seleção de curtas do 38º Festival de Gramado, onde o filme terá sua primeira exibição pública.

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